Estou numa fase de negação. Não sei diferenciar sentimentos. Ando por aí quieta na minha. Estou ausente de tudo e de todos. Sem vontades, nem expectativas. É como se tudo aqui dentro estivesse dormindo, ou tirando longas férias. Eu estou viva, mas não estou vivendo.
A vida humana é feita de escolhas. Sim ou não. Dentro ou fora. Em cima ou embaixo. E também há as escolhas que importam. Amar ou odiar. Ser um herói ou um covarde. Brigar ou se entregar. Viver. Ou morrer. Essa é a escolha importante. E nem sempre ela está nas suas mãos.
Pode. É esse “pode” que fode com tudo. Pode dá certo, pode dá errado, pode acontecer tanta coisa. Mas também pode não acontecer nada. Isso é torturante.
— A pior coisa é você querer chorar e não conseguir.
— Por que não consegue?
— É como se meu peito estivesse travado, acumulado de várias coisas. E por mais que eu tente chorar, desabafar comigo mesmo. Não consigo. As lágrimas ficam presa em minha garganta, trancadas com o gosto amargo da dor. É como se a solidão tivesse feito um buraco em meu peito, um vazio, um verdadeiro caos.